quarta-feira, 21 de maio de 2025

1ª - Lei de DEUS: "Reconhecer que o Criador Eterno existe" (Êxodo 20:2) - Pr Ronildo da Cruz Ribeiro

1ª - Lei de DEUS:

"Reconhecer que o Criador Eterno existe" (Êxodo 20:2)

Por Ronildo da Cruz Ribeiro


1. Contexto Bíblico e Significado Literal

O versículo citado é a abertura do Decálogo (Dez Mandamentos) e estabelece o fundamento de toda a revelação divina no Sinai:

"Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão." (Êxodo 20:2).

Declaração de Identidade: Deus se apresenta não como uma abstração filosófica, mas como um ser pessoal que age na história ("que te tirei do Egito").

Base para os Mandamentos: Antes de exigir obediência, Ele afirma Sua existência e autoridade. A relação começa com o reconhecimento dEle como Criador (Eterno) e Libertador (Ativo no mundo).


2. Implicações Teológicas

(A) Existência como Premissa Fundamental

Não há um "argumento" para provar Deus neste texto — Sua existência é assumida como autoevidente. Isso contrasta com filosofias que exigem demonstração lógica (como em Aristóteles ou Tomás de Aquino).

No judaísmo, esse reconhecimento é chamado de Emuná (fé/confiança), que vai além do intelecto: é uma adesão existencial.


(B) O "Criador Eterno"

O termo hebraico יְהוָה (YHWH) usado aqui enfatiza a eternidade e autoexistência (cf. Êxodo 3:14 — "Eu Sou o que Sou").

Criação ≠ Acidente: O mundo tem um propósito, pois deriva de uma vontade divina (Gênesis 1:1).


(C) Monoteísmo Ético

Reconhecer Deus implica rejeitar:

Ateísmo (negação da existência divina).

Idolatria (substituir Deus por criaturas).

Materialismo (viver como se não houvesse um Criador).


3. Na Prática Religiosa

(A) No Judaísmo

É o 1º dos 613 mandamentos (segundo Maimônides).

Manifesta-se no Shemá Israel (Deuteronômio 6:4), proclamando a unicidade de Deus.

Influencia até gestos cotidianos (como bênçãos antes de comer).


(B) No Cristianismo

Jesus reforça esse princípio (Marcos 12:29-30).

Paulo argumenta que a criação revela Deus (Romanos 1:20).


(C) No Islam

Corão 112:1-4 ecoa Deuteronômio 6:4: "Dize: Ele é Allah, Uno".


4. Desafios Modernos


Ceticismo: Como "reconhecer" Deus em uma era científica?


Respostas judaicas:

Maimônides: Deus é "o Primeiro Motor" (filosofia).

Hassidismo: Deus se revela na experiência interior.


Secularismo: Muitos vivem como se Deus não existisse.

O princípio exige consciência constante da presença divina ("Em todos os teus caminhos, reconhece-O" — Provérbios 3:6).


5. Conclusão: Por que esse princípio vem primeiro?

Sem reconhecer a existência e autoridade do Criador, os outros mandamentos perdem o fundamento. É:

Condição para a fé autêntica.

Base para a ética (se Deus existe, há leis objetivas).

Fonte de significado (a vida não é um acidente cósmico).


Pergunta para reflexão:
Como esse reconhecimento se traduz em ações concretas no seu cotidiano?


terça-feira, 20 de maio de 2025

Se a vossa justiça não exceder… - Ronildo da Cruz Ribeiro

Se a vossa justiça não exceder…

Por: Ronildo da Cruz Ribeiro



Estava estudando sobre os conselhos de Jesus, quando um texto de Jesus me chamou atenção; foi o texto de Mateus 5:20, que diz assim: Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus”. E algumas perguntas vieram ao meu coração: 

  1. Quem eram os fariseus? 

  2. Como eles agiam, quanto à obediência às leis de Deus? 

  3. O que eles faziam que desagradava a Jesus?

  4. Como e quanto isso era danoso para os discípulos de Jesus?

  5. Qual o conselho de Jesus para seus discípulos quanto aos fariseus?

Essas questões me levaram a estudar um pouco sobre os fariseus e descobri quais são as leis que eles, tão rigorosamente, guardavam e pelas quais eles viviam, morriam e até mesmo matavam.

Eram 613 (seiscentos e treze) as leis que eles obedeciam rigorosamente, porém havia a tradição oral destas leis, que, em alguns casos, sobrepunham a lei divina a eles dada por Moisés. Logo, resolvi discorrer sobre o assunto, muito para meu próprio entendimento, mas, espero que de alguma forma este texto possa te ajudar também, como a mim tem surpreendido.


1. Quem eram os fariseus?

Os fariseus eram um grupo religioso judaico conhecido por seu zelo rigoroso pela Lei de Moisés e pelas tradições dos antigos (Mateus 23:2; Atos 26:5). Eles eram influentes entre o povo, considerados modelos de piedade, mas Jesus os chamou de "hipócritas" (Mateus 23:13) porque sua religiosidade era superficial.


2. Como eles agiam quanto à obediência às Leis de Deus?

  • Cumpriam a Lei meticulosamente, mas de forma externa (Mateus 23:23).

Pagavam o dízimo até de temperos (hortelã, endro e cominho), mas negligenciavam a justiça, a misericórdia e a fidelidade.

  • Seguiam tradições humanas mais do que a Palavra de Deus (Marcos 7:8-9).

Exemplo: Lavavam as mãos cerimonialmente, mas seus corações estavam cheios de cobiça (Marcos 7:1-5).

  • Evitavam pecados públicos, mas cultivavam orgulho espiritual (Lucas 18:11-12).


3. O que eles faziam que desagradava a Jesus?

  • Hipocrisia: viviam uma espiritualidade de aparência (Mateus 23:27-28).

  • Legalismo sem amor: oprimiam o povo com regras pesadas, sem misericórdia (Mateus 23:4).

  • Orgulho religioso: criam que eram justos por suas obras, desprezando os pecadores (Lucas 18:9).

  • Rejeição a Jesus: Apegaram-se tanto às suas tradições que não reconheceram o Messias (João 5:39-40).


4. Como isso era danoso para os discípulos de Jesus?

  • Desviava o foco do coração para o ritualismo (Mateus 15:8-9). Será que não estamos vivendo novamente debaixo de preceitos de homens e abandonando os ensinos de Jesus?

  • Criava falsos padrões de santidade, levando a julgamentos injustos (Lucas 11:46).

  • Impedia o verdadeiro arrependimento, pois os fariseus ensinavam que a salvação vinha das obras, não da graça (Romanos 10:3).


5. O conselho de Jesus para seus discípulos quanto aos fariseus

  • "A vossa justiça deve exceder a dos fariseus" (Mateus 5:20), não em regras, mas em pureza de coração.

  • "Guardai-vos do fermento dos fariseus" (Lucas 12:1) – ou seja, da hipocrisia.

  • Não imitar sua arrogância, mas servir com humildade (Mateus 23:11-12).

  • Buscar primeiro o Reino de Deus (Mateus 6:33), não a aprovação religiosa.


O que Jesus quer nos ensinar com este conselho?

  1. Priorize o coração, não apenas ações externas – Deus vê a sua intenção (1 Samuel 16:7).

  2. Rejeite o legalismo – A fé genuína produz amor, não opressão (Gálatas 5:6).

  3. Viva em humildade – reconhecendo que a justiça vem de Cristo (Filipenses 3:9).

  4. Ame mais e julgue menos – Como Jesus fez com os pecadores (João 8:10-11).


O farisaísmo representa o perigo de uma fé aparente, mas vazia. Jesus nos chama a uma justiça radical, que nasce no coração e se expressa em amor. Que nossa vida com Deus não seja sobre parecer santos, mas sobre ser santos – pela graça dEle. 


Jesus reconheceu que os fariseus e escribas eram meticulosos no cumprimento externo da Lei, mas destacou que sua justiça era insuficiente para o Reino dos Céus porque carecia de profundidade espiritual e amor genuíno. Jesus, exige dos seus discípulos uma justiça que supere a deles em essência, não somente em aparência.


Em que sentido os fariseus eram "excelentes" na Lei (mas falhavam):


Eles eram rigorosos na observância externa –

  • Cumpriam minuciosamente regras como dízimos, pureza ritual e tradições (Mateus 23:23; Lucas 18:12).

  • Porém, negligenciavam "o mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade" (Mateus 23:23).


Eram zelosos pela tradição oral –

  • Acumulavam interpretações humanas sobre a Lei (Marcos 7:8-9), criando fardos pesados para o povo (Mateus 23:4).

  • Jesus condenou isso, pois substituíam os mandamentos de Deus por tradições (Marcos 7:13).


Tinham aparência de piedade –

  • Praticavam atos religiosos para serem vistos (Mateus 6:1-5; 23:5-7).

  • Tinham justiça autocentrada, não fundamentada em um coração transformado (Lucas 18:9-14).


Como a justiça dos discípulos deve superar a dos fariseus:

  1. Internalização da Lei

    • Não apenas "não matar", mas evitar o ódio no coração (Mateus 5:21-22).

    • Não apenas "não adulterar", mas guardar os olhos e a mente pura (Mateus 5:27-28).


  1. A motivação devia ser o amor

    • Os fariseus obedeciam por obrigação; os discípulos, por amor a Deus e ao próximo (Mateus 22:37-40).

    • Exemplo: o bom samaritano superou os religiosos em misericórdia (Lucas 10:30-37).

  2. Total dependência da graça divina

  3. Tem que ter o Fruto do Espírito

    • A justiça do Reino não é sobre regras, mas sobre transformação (Gálatas 5:22-23).


Conclusão:

Jesus mostrou que a "excelência" farisaica era incompleta porque focava no exterior, não no coração. A justiça do Reino exige pureza interior, misericórdia e relacionamento com Deus, não apenas cumprimento técnico da Lei. Por isso, os discípulos devem ir além, buscando uma justiça que vem de dentro para fora (Mateus 5:20; 6:33).


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Ronildo da Cruz Ribeiro

Gravataí/RS, 20 de maio de 2025

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