Se a vossa justiça não exceder…
Por: Ronildo da Cruz Ribeiro
Estava estudando sobre os conselhos de Jesus, quando um texto de Jesus me chamou atenção; foi o texto de Mateus 5:20, que diz assim: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus”. E algumas perguntas vieram ao meu coração:
Quem eram os fariseus?
Como eles agiam, quanto à obediência às leis de Deus?
O que eles faziam que desagradava a Jesus?
Como e quanto isso era danoso para os discípulos de Jesus?
Qual o conselho de Jesus para seus discípulos quanto aos fariseus?
Essas questões me levaram a estudar um pouco sobre os fariseus e descobri quais são as leis que eles, tão rigorosamente, guardavam e pelas quais eles viviam, morriam e até mesmo matavam.
Eram 613 (seiscentos e treze) as leis que eles obedeciam rigorosamente, porém havia a tradição oral destas leis, que, em alguns casos, sobrepunham a lei divina a eles dada por Moisés. Logo, resolvi discorrer sobre o assunto, muito para meu próprio entendimento, mas, espero que de alguma forma este texto possa te ajudar também, como a mim tem surpreendido.
1. Quem eram os fariseus?
Os fariseus eram um grupo religioso judaico conhecido por seu zelo rigoroso pela Lei de Moisés e pelas tradições dos antigos (Mateus 23:2; Atos 26:5). Eles eram influentes entre o povo, considerados modelos de piedade, mas Jesus os chamou de "hipócritas" (Mateus 23:13) porque sua religiosidade era superficial.
2. Como eles agiam quanto à obediência às Leis de Deus?
Cumpriam a Lei meticulosamente, mas de forma externa (Mateus 23:23).
Pagavam o dízimo até de temperos (hortelã, endro e cominho), mas negligenciavam a justiça, a misericórdia e a fidelidade.
Seguiam tradições humanas mais do que a Palavra de Deus (Marcos 7:8-9).
Exemplo: Lavavam as mãos cerimonialmente, mas seus corações estavam cheios de cobiça (Marcos 7:1-5).
Evitavam pecados públicos, mas cultivavam orgulho espiritual (Lucas 18:11-12).
3. O que eles faziam que desagradava a Jesus?
Hipocrisia: viviam uma espiritualidade de aparência (Mateus 23:27-28).
Legalismo sem amor: oprimiam o povo com regras pesadas, sem misericórdia (Mateus 23:4).
Orgulho religioso: criam que eram justos por suas obras, desprezando os pecadores (Lucas 18:9).
Rejeição a Jesus: Apegaram-se tanto às suas tradições que não reconheceram o Messias (João 5:39-40).
4. Como isso era danoso para os discípulos de Jesus?
Desviava o foco do coração para o ritualismo (Mateus 15:8-9). Será que não estamos vivendo novamente debaixo de preceitos de homens e abandonando os ensinos de Jesus?
Criava falsos padrões de santidade, levando a julgamentos injustos (Lucas 11:46).
Impedia o verdadeiro arrependimento, pois os fariseus ensinavam que a salvação vinha das obras, não da graça (Romanos 10:3).
5. O conselho de Jesus para seus discípulos quanto aos fariseus
"A vossa justiça deve exceder a dos fariseus" (Mateus 5:20), não em regras, mas em pureza de coração.
"Guardai-vos do fermento dos fariseus" (Lucas 12:1) – ou seja, da hipocrisia.
Não imitar sua arrogância, mas servir com humildade (Mateus 23:11-12).
Buscar primeiro o Reino de Deus (Mateus 6:33), não a aprovação religiosa.
O que Jesus quer nos ensinar com este conselho?
Priorize o coração, não apenas ações externas – Deus vê a sua intenção (1 Samuel 16:7).
Rejeite o legalismo – A fé genuína produz amor, não opressão (Gálatas 5:6).
Viva em humildade – reconhecendo que a justiça vem de Cristo (Filipenses 3:9).
Ame mais e julgue menos – Como Jesus fez com os pecadores (João 8:10-11).
O farisaísmo representa o perigo de uma fé aparente, mas vazia. Jesus nos chama a uma justiça radical, que nasce no coração e se expressa em amor. Que nossa vida com Deus não seja sobre parecer santos, mas sobre ser santos – pela graça dEle.
Jesus reconheceu que os fariseus e escribas eram meticulosos no cumprimento externo da Lei, mas destacou que sua justiça era insuficiente para o Reino dos Céus porque carecia de profundidade espiritual e amor genuíno. Jesus, exige dos seus discípulos uma justiça que supere a deles em essência, não somente em aparência.
Em que sentido os fariseus eram "excelentes" na Lei (mas falhavam):
Eles eram rigorosos na observância externa –
Cumpriam minuciosamente regras como dízimos, pureza ritual e tradições (Mateus 23:23; Lucas 18:12).
Porém, negligenciavam "o mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade" (Mateus 23:23).
Eram zelosos pela tradição oral –
Acumulavam interpretações humanas sobre a Lei (Marcos 7:8-9), criando fardos pesados para o povo (Mateus 23:4).
Jesus condenou isso, pois substituíam os mandamentos de Deus por tradições (Marcos 7:13).
Tinham aparência de piedade –
Praticavam atos religiosos para serem vistos (Mateus 6:1-5; 23:5-7).
Tinham justiça autocentrada, não fundamentada em um coração transformado (Lucas 18:9-14).
Como a justiça dos discípulos deve superar a dos fariseus:
Internalização da Lei –
Não apenas "não matar", mas evitar o ódio no coração (Mateus 5:21-22).
Não apenas "não adulterar", mas guardar os olhos e a mente pura (Mateus 5:27-28).
A motivação devia ser o amor –
Os fariseus obedeciam por obrigação; os discípulos, por amor a Deus e ao próximo (Mateus 22:37-40).
Exemplo: o bom samaritano superou os religiosos em misericórdia (Lucas 10:30-37).
Total dependência da graça divina –
Os fariseus confiavam em sua própria justiça (Lucas 18:9); os discípulos, na justiça de Cristo (Filipenses 3:9).
Tem que ter o Fruto do Espírito –
A justiça do Reino não é sobre regras, mas sobre transformação (Gálatas 5:22-23).
Conclusão:
Jesus mostrou que a "excelência" farisaica era incompleta porque focava no exterior, não no coração. A justiça do Reino exige pureza interior, misericórdia e relacionamento com Deus, não apenas cumprimento técnico da Lei. Por isso, os discípulos devem ir além, buscando uma justiça que vem de dentro para fora (Mateus 5:20; 6:33).
____________________________
Ronildo da Cruz Ribeiro
Gravataí/RS, 20 de maio de 2025
Nenhum comentário:
Postar um comentário